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Através dos Percursos Temporais: quando Hearthstone acerta na ideia, mas cobra pelo tempo do jogador.

Uma expansão que acerta no conceito, mas cobra caro pela aceleração.

Através dos Percursos Temporais é uma daquelas expansões em que Hearthstone parece lembrar por que ainda é relevante dentro do gênero. A Blizzard aposta alto em uma temática que mistura nostalgia, multiverso e caos temporal e, dessa vez, a ideia não fica só no discurso. A expansão realmente conversa com o gameplay, com o meta e com a forma como o jogador consome o conteúdo.

A narrativa gira em torno do colapso das linhas do tempo da Taverna, provocado por interferências da dragonesa do tempo Crona e pela ameaça constante da Revoada Infinita. O resultado é um “e se?” permanente: heróis que nunca deveriam existir, vilões em versões alternativas e eventos que desafiam a lógica tradicional do universo Warcraft. É uma história simples na estrutura, mas inteligente na execução, especialmente por se refletir diretamente nas mecânicas de jogo.

E é aí que a expansão começa a se destacar. As novas cartas brincam com a ideia de reescrever jogadas, refazer estados anteriores e gerar resultados inesperados sem cair completamente no RNG gratuito. Existe caos, mas existe controle, algo que Hearthstone nem sempre soube equilibrar bem no passado.

No meta competitivo, Através dos Percursos Temporais entregou variedade real. Demon Hunter agressivo dominou boa parte do início da expansão, Death Knight manteve sua força em versões mais defensivas, enquanto Shaman e Warlock encontraram espaço com builds consistentes de médio prazo. Não foi um meta perfeito, mas foi um meta vivo, que mudou com o tempo e não ficou refém de um único arquétipo opressor por meses.

O Passe da Taverna: onde o custo-benefício realmente mora


No Brasil, o Passe da Taverna custa R$ 97,90, valor fixo na loja oficial. E aqui vale ser honesto: dentro da lógica atual de Hearthstone, esse é o melhor investimento possível em dinheiro real para quem joga minimamente com frequência.

Por esse preço, o jogador recebe impulso permanente de experiência, acesso à trilha premium de recompensas, pacotes ao longo da progressão, cosméticos exclusivos e cards lendários que não podem ser obtidos de outra forma. Mais importante: o passe respeita o tempo do jogador. Ele não exige compra no primeiro dia e concede recompensas retroativas, o que reduz aquela sensação artificial de urgência tão comum em passes de batalha mal pensados.

Os bundles: bons, mas nada acessíveis

Já os pacotes de pré-venda seguem a lógica tradicional da Blizzard: entregam volume, mas cobram caro por isso. Os bundles oferecem muitos pacotes e alguns itens cosméticos exclusivos, porém falam com um público muito específico, quem quer montar decks completos logo no lançamento e está disposto a gastar algumas centenas de reais de uma vez.
Não são maus produtos, mas deixam claro o contraste entre quem pode pagar para acelerar a experiência e quem depende de tempo e progressão natural. O Passe da Taverna suaviza essa diferença, mas não elimina o problema estrutural.

Através dos Percursos Temporais é uma expansão acima da média. Não revoluciona Hearthstone, mas mostra maturidade criativa ao alinhar narrativa, mecânicas e meta competitivo. O Passe da Taverna, especialmente pelo valor brasileiro de R$ 97,90, se consolida como o ponto mais honesto da monetização do jogo. Já os bundles continuam sendo um luxo, eficiente, mas distante da realidade da maioria dos jogadores.
No fim das contas, Hearthstone não reinventou o tempo. Mas, dessa vez, ao menos aprendeu a usá-lo melhor.

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