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Extermínio: O Templo dos Ossos | A reinvenção radical da franquia

Quem assistiu ao filme Extermínio lá em 2003, mais de 20 anos atrás, certamente não imaginava que a franquia iria se expandir e evoluir tanto em produções futuras que dão continuidade ao apocalipse zumbi que afligiu a Grã-Bretanha após um surto de raiva vindo de macacos.

Tudo começou de forma muito simples: após o surto de mortos-vivos, os sobreviventes precisaram fugir e se esconder para tentar sobreviver em meio a uma terra desabitada e isolada — um enredo já visto em tantos outros filmes e que continuou na sequência não tão autorizada de 2007.

Porém, o diretor Danny Boyle decidiu retomar as rédeas de sua criação para inaugurar uma nova era para a franquia, desenvolvendo dois novos filmes: Extermínio: A Evolução (lançado no ano passado e dirigido por ele mesmo) e Extermínio: O Templo dos Ossos (que chega este ano e é dirigido por Nia DaCosta). Ambos foram filmados e produzidos praticamente ao mesmo tempo, em paralelo.

Nesse novo momento, os filmes se passam 28 anos após o surto apocalíptico inicial. Um grupo de sobreviventes conseguiu se refugiar e prosperar em uma pequena ilha na costa europeia, ligada ao continente por um estreito banco de areia — que desaparece quando a maré sobe.

No filme lançado no último ano, o público foi apresentado a novos personagens, sendo o adolescente Spike (interpretado por Alfie Williams) o protagonista que tenta se encaixar nesse novo mundo ao mesmo tempo que treina para se tornar um desbravador do continente e matador de zumbis.

Em O Templo dos Ossos, a história continua exatamente de onde parou no ano passado, quando Spike se depara com Jimmy e seus seguidores nas artes marciais, também chamados de Jimmy. Trata-se de um culto liderado por um homem que acredita fielmente ser filho e herdeiro de Satanás e cuja missão na Terra é matar os poucos sobreviventes para entregar suas almas ao diabo.

A apresentação desse núcleo mostra a intenção de Danny Boyle em criar elementos originais para uma trama que poderia facilmente cair nos clichês de histórias de zumbi, mas que prefere seguir por um caminho mais próximo de The Walking Dead: deixar os mortos-vivos em segundo plano para mostrar o que aconteceu com os humanos deixados para trás e como eles se comportam quando o mundo perde suas estruturas e o homem se volta contra o próprio homem.

Isso pode ser tanto o motivo que fará muita gente amar o filme quanto o que fará outros odiarem, porque, analisando em retrospecto, é necessário dizer: o longa nem sequer parece uma história de zumbis!

Isso torna o filme ruim? Longe disso. Mesmo que ele abandone seus princípios e não se mantenha fiel ao gênero, é um filme que abraça o camp e o terror escrachado para contar uma história muito boa e de alta qualidade.

O filme traz uma reflexão interessante ao mostrar a efemeridade da vida e como um ateu convicto (interpretado por Ralph Fiennes) e um adorador fanático de Lúcifer podem coexistir nesse mesmo mundo — e o que acontece quando seus caminhos se cruzam.

Essa abordagem que o longa utiliza para mostrar o que aconteceu com as religiões e crenças em um mundo devastado funciona de forma impecável no roteiro, adicionando um tom de crítica e dramaticidade à história, mas sem abandonar o lado divertido e cruel que Extermínio sempre apresentou em cada uma de suas sequências.

As mortes grotescas, algumas piadas infames e elementos muito criativos — estamos falando de um culto satânico-serial killer em plena era apocalíptica que ainda por cima é especialista em artes marciais; tem algo mais louco e original do que isso? — continuam presentes, agora elevadas a um nível ainda maior e prontas para compor uma película que reúne o melhor do terror moderno e se reinventa a cada cena.

Ame ou odeie, não dá para negar que Extermínio é uma franquia de zumbis totalmente única e especial. Que venham mais filmes pela frente!

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