
Na esteira de filmes de terror que tentam se reinventar cada vez mais, vez ou outra surge algo vindo de uma ideia bastante original e que, mesmo assim, poderia acontecer na realidade. É o caso de O Primata, longa dirigido por Johannes Roberts.
A história acompanha Lucy (interpretada por Johnny Sequoyah) que, após um tempo afastada para cursar faculdade, finalmente retorna ao Havaí, onde moram seu pai e sua irmã. Acompanhada das amigas que vão aproveitar o recesso para curtir as férias, Lucy também revê Ben, o mascote da família — um chimpanzé adestrado pela falecida mãe dela.

Ben é um primata inteligente, capaz de entender linguagem de sinais e se comunicar usando um tablet adaptado. Porém, em uma única noite, a situação desanda quando ele começa a agir de forma muito estranha.
Infectado pela raiva, o animal de repente se torna uma criatura violenta, e Lucy e seus amigos se veem presos em um jogo de gato e rato, lutando para sobreviver antes que Ben acabe matando todos eles.

A princípio, a ideia do filme pode parecer ilógica ou até irreal, mas é válido lembrar que primatas de fato têm força sobre-humana, capaz de esmagar ossos — como no caso de Charla Nash, que teve o rosto devorado por seu chimpanzé de estimação em Connecticut, Estados Unidos, em 2009 (notícia que provavelmente inspirou o roteiro).
Partindo do pressuposto de que um chimpanzé irritado conseguiu desfigurar sua dona, imagine o que um animal infectado pela raiva não poderia fazer e quais tipos de violência poderia causar.
Surge aí o que é facilmente um dos melhores slashers do ano, e que certamente deve figurar entre os destaques nos próximos meses, entrando na lista de favoritos dos fãs mais fervorosos de terror. É inegável: O Primata é divertido, bem construído e brilhante.
O filme poderia colocar Ben na posição de um simples serial killer que se esconde pela casa e vai matando um a um sem que os demais personagens percebam o que está acontecendo, mas prefere fugir desse clichê e usa todo o cenário a seu favor para construir uma história única, onde, desde o momento em que Ben é infectado, cada morador precisa lutar pela sobrevivência.
Essa exploração do cenário é feita de forma excepcional: cada espaço da casa — da piscina à sala de estar — cumpre uma função dentro do filme e se transforma em uma arena onde assistimos Ben brutalizar cada um deles.
As mortes são brutais, criativas, gráficas e preparadas para causar susto e agonia no público, sem mencionar a tensão que surge sempre que Ben aparece em cena.
O Primata resgata o que há de melhor no gênero e usa elementos novos para contar uma história de slasher que poderia ser batida e convencional, mas que acaba se revelando surpreendentemente verdadeira, cuidadosa e empolgante.



