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Todo Mundo em Pânico 6 | Filme mantém boas piadas mas desperdiça atores

Filme usa da nostalgia para agradar os fãs com boas piadas, mas alguns defeitos evidentes na estrutura do roteiro

Todo Mundo em Pânico 6 — ou simplesmente Todo Mundo em Pânico, como a Paramount decidiu intitular o longa aqui no Brasil — chegou recentemente aos cinemas com uma missão bem difícil: resgatar a franquia para o mesmo humor que conquistou o Brasil e o mundo tantos anos atrás.

A tarefa não é fácil: Todo Mundo em Pânico é um projeto que já havia três filmes que não era conduzido pelos irmãos Wayans, e seu predecessor, Todo Mundo em Pânico 5, foi extremamente mal recebido pelo público, a ponto de a série de filmes estar aposentada desde 2013.

Para além disso, é preciso entrar na questão de que resgatar uma franquia que foi tão amada pelo público em seus filmes iniciais é algo que nem sempre Hollywood consegue fazer com sucesso. Isso se deve ao fato de que muito do amor que os fãs sentem pelo filme se deve ao sentimento de nostalgia que foi construído com muito zelo pelo tempo.

Então, criar Todo Mundo em Pânico 6 não era só bolar um bom roteiro com boas piadas; muito mais do que isso, era preciso resgatar a nostalgia que marcou uma geração e que faz com que a franquia seja lembrada com carinho e bom humor pelos fãs mais fervorosos até hoje.

Apesar de a missão ser difícil e complexa, também é inegável que este é o momento ideal para colocá-la em ação: já faz um tempo que as produções norte-americanas vêm apostando na nostalgia para conseguir produzir novos filmes e resgatar fãs antigos (e, ao mesmo tempo, consolidar novas fanbases).

Prova disso é a sequência de filmes célebres que tem sido produzida nos últimos anos, como, por exemplo, “Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda”, “O Diabo Veste Prada 2” e, é claro, o que deu toda a origem de Todo Mundo em Pânico: a própria franquia de terror Pânico, que foi revitalizada (com muito sucesso) em 2022.

Na esteira do novo auge de Pânico e de uma nova geração de filmes de terror contemporâneos e conceituais, Todo Mundo em Pânico 6 tinha material de sobra para parodiar. Então, com certeza podemos dizer: era o momento ideal para esse filme sair.

A história, como sempre, não tem uma estrutura completamente linear e mais parece um amontoado de esquetes com uma tentativa de roteiro ao fundo. Isso pode ser um problema para os críticos mais exigentes, mas, no fim das contas, é a forma com que Todo Mundo em Pânico se construiu, goste ou não.

Porém, mesmo com esse aspecto, o filme ainda oferece uma história fixa ao parodiar principalmente Pânico: um novo Ghostface surge para perseguir a filha de Cindy Campbell e seus amigos. Assim, a garota não vê outra alternativa além de buscar pela mãe e resgatar os antigos personagens da franquia, para que possam combater o novo assassino.

O filme é muito inteligente no modo como traz de volta todos os personagens marcantes dos filmes anteriores (sempre se preocupando em esquecer Todo Mundo em Pânico 5, é claro), e o modo como cada um deles surge novamente é o que traz esse tão buscado sentimento de nostalgia para o longa.

Porém, mesmo assim, ao trazer todas essas figuras conhecidas de volta, como Cindy Campbell (Anna Faris), Brenda Meeks (Regina Hall), Shorty (Marlon Wayans) e Ray (Shawn Wayans), o filme falha em explorar bem todas elas.

É claro que seria necessário um novo elenco para esse “reboot” funcionar, e esse novo elenco precisaria de destaque. Tanto é que o próprio filme brinca com isso ao quebrar a quarta parede diversas vezes para comentar sobre como as novas franquias trazem novos rostos para revitalizar os filmes, porém focando também nos antigos para agradar à antiga geração.

Porém, quando estamos falando de personagens tão grandes, como, por exemplo, a Brenda de Regina Hall, é de se esperar que ela tenha um grande destaque e um papel relevante no filme, e é uma pena quando isso não acontece.

Todos os personagens antigos estão lá, são referenciados e têm boas cenas e boas piadas, mas, ainda assim, se somados seus minutos, eles não ocupam uma parte significativa do filme, o que causa uma sensação de ter assistido a algo incompleto.

Para além do desejo de se ver mais esses personagens pelos quais se tem tanto apreço e carinho, é preciso também comentar sobre o principal quando se trata de um filme de comédia: as piadas.

As piadas seguem um padrão clássico dos irmãos Wayans e estão no mesmo nível do segundo filme, porém sem superar o nível do primeiro. Algumas funcionam muito bem, outras não. E, assim como aconteceu em Todo Mundo em Pânico 2, algumas até são engraçadas, porém desnecessariamente longas.

É uma estratégia que vai fazer uma parcela do público rir; já outra vai acabar achando maçante. Para citar alguns exemplos: a cena que referencia o filme Michael e a cena que referencia Guerreiras do K-pop (vai por mim, são engraçadas, mas cansativas, e isso, em um filme de uma hora e meia, é um baita problema).

A quarta parede é quebrada com excesso e, falando em excesso, esse é um dos outros pecados do novo filme: enquanto Todo Mundo em Pânico referenciou apenas de três a cinco filmes, a sexta continuação quis recuperar o tempo perdido que ficou afastada das telonas e acabou tentando encaixar muito mais paródias de muito mais filmes.

É compreensível. Afinal, quando se resgata uma franquia, a nova película precisa ser maior, mais grandiosa e melhor. Mas, ao referenciar tantos filmes de terror atuais, acabou reforçando em excesso o aspecto de “esquetes” mencionado anteriormente.

De qualquer forma, Todo Mundo em Pânico 6 cumpre todos os outros pontos positivos com maestria: a maior parte das cenas é engraçada, os irmãos Wayans ainda têm um timing cômico excelente, com uma mistura de humor crítico e humor pastelão que é excelente. Isso, é claro, sem poupar nenhum grupo social, satirizando todos eles!

As referências nostálgicas acontecem em demasia? Sim, mas funcionam! Elas vão agradar e fazer o público voltar no tempo para tantos momentos que fizeram a audiência gargalhar, e isso com certeza é a qualidade suprema do novo Todo Mundo em Pânico.

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