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Mestres do Universo: quando o brega vira espetáculo

A aguardada adaptação de He-Man abraça suas raízes sem vergonha e entrega uma aventura épica, divertida e cheia de nostalgia.

Após o grande sucesso de Barbie, a Mattel decidiu criar um novo filme, ou talvez até uma nova franquia, baseada em um de seus desenhos mais aclamados dos anos 80. Com o apoio da Amazon MGM Studios, Mestres do Universo chega para contar a história de He-Man, abraçando por completo uma estética que hoje muitos consideram brega. Essa escolha levantou dúvidas sobre a qualidade da adaptação, mas devo dizer que o filme assume essa identidade sem vergonha alguma e transforma o que poderia ser apenas cafona em algo maravilhoso, carismático e talvez até único.

O filme acompanha Adam (Nicholas Galitzine), que, após a invasão de Eternia por Esqueleto (Jared Leto), é enviado para a Terra. No entanto, durante sua fuga, ele acaba perdendo a Espada do Poder e passa os 15 anos seguintes tentando encontrá-la, recorrendo até mesmo a fóruns da internet em busca de pistas. Sua obsessão é tão grande que essa busca chega a atrapalhar seu trabalho no departamento de Recursos Humanos.

Adam nunca foi a criança mais forte, nem o adulto mais forte, apesar de seus músculos sugerirem o contrário. Por mais clichê que isso possa parecer, sua verdadeira força vem do coração. Ele sempre foi alguém que se importou com os outros e, provavelmente por isso, foi escolhido pela Feiticeira (Morena Baccarin) para portar a espada e se tornar o Campeão de Grayskull.

Após a espada ser encontrada, somos apresentados a Teela (Camila Mendes), que viaja até a Terra para levar Adam de volta a Eternia e ajudá-lo a salvar seu mundo. Ao retornar, ele descobre que Esqueleto destruiu grande parte do reino e que poucos sobreviventes restaram, agarrando-se às últimas faíscas de esperança. Contudo, ao assumir novamente o papel de Campeão de Grayskull, Adam consegue reacender a esperança de seu povo e mostrar que ainda existe um caminho a seguir.

Graças à sua bondade e ao seu enorme coração, Adam consegue unir os sobreviventes na luta contra o exército de Esqueleto. Mais do que recuperar seus lares, eles lutam para reconstruir Eternia e transformá-la novamente em um reino de paz e prosperidade.

Agora falando da estética do filme, algo que já era considerado brega nos anos 80, mas que mesmo assim conseguiu cativar uma geração inteira de crianças que hoje, já adultas, vão ao cinema assistir a esta adaptação. O filme poderia ter vergonha de si mesmo, mas, ciente de suas origens, faz exatamente o contrário. Mestres do Universo abraça sua identidade e a transforma em um espetáculo de cores extravagantes, cenários grandiosos e personagens visualmente marcantes. Em diversos momentos, sua estética chega até mesmo a lembrar Guardiões da Galáxia, embora mantenha personalidade própria e uma sinceridade que o impede de parecer uma simples imitação.

E, quando o assunto são os personagens, não tenho praticamente nenhuma reclamação. Todo o elenco parece ter entendido perfeitamente a proposta do filme: ser brega, exagerado e, ao mesmo tempo, espetacular. As caracterizações são extremamente fiéis ao desenho original e, em muitos momentos, parecem ter saído diretamente das embalagens dos brinquedos.

Isso faz ainda mais sentido quando lembramos que He-Man se tornou um fenômeno não apenas por causa do desenho, mas também pela enorme popularidade de sua linha de brinquedos. Por isso, tenho certeza de que quem acompanhou a série nos anos 80 sentirá um enorme carinho ao ver uma adaptação tão genuína, respeitosa e fiel às suas origens.

Uma menção honrosa vai para o Esqueleto de Jared Leto, que, mesmo sendo o grande vilão da história, funciona como um sensacional alívio cômico em diversos momentos, arrancando ótimas risadas do público presente na sala de cinema.

Mestres do Universo cumpre exatamente aquilo que se propõe a fazer: entregar cenas espetaculares, uma história carismática e uma trilha sonora de arrepiar, especialmente com a participação de Brian May, guitarrista da banda Queen. O filme é uma homenagem repleta de nostalgia ao desenho original e tenho certeza de que quem cresceu acompanhando as aventuras de He-Man vai se divertir bastante com essa adaptação.

Mestres do Universo já está disponível nos cinemas.

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