Se você cresceu acompanhando a trajetória de Woody, Buzz Lightyear e toda a turma do quarto do Andy, prepare-se para um choque de realidade, e talvez um pouco de dor nas costas. O recente trailer de Toy Story 5 não trouxe apenas a nostalgia habitual; ele nos apresentou a uma imagem que está viralizando e causando um desconforto existencial em toda uma geração: Woody, o icônico xerife, aparece com falhas acentuadas no topo da cabeça.
A imagem do brinquedo visivelmente desgastado, com o feltro do chapéu gasto e a cabeleira de tecido rarefeita, não é apenas um detalhe estético. É um espelho.
Quando Toy Story estreou em 1995, Woody era o ápice da inovação e o objeto de desejo de qualquer criança. Hoje, ao vê-lo “calvo”, a Pixar não está apenas nos mostrando um brinquedo que sobreviveu a décadas de brincadeiras; ela está sinalizando que o tempo passou para nós também.
A calvície do Woody é um lembrete físico e brutal de que aquela criança que assistiu ao filme nos anos 90 agora lida com boletos, responsabilidades e, provavelmente, com o início das marcas da maturidade no espelho. Se o Woody está envelhecendo, significa que nós, inevitavelmente, também estamos.
Para além do fator nostálgico, o trailer deixa claro que a premissa de Toy Story 5 toca em uma ferida aberta da infância moderna: a obsolescência do brinquedo físico.
A narrativa parece se debruçar sobre a transição definitiva dos bonecos de pano e plástico para os tablets, consoles e redes sociais. Woody, em sua versão “desgastada”, representa uma resistência silenciosa em um mundo onde a atenção das crianças é disputada por algoritmos e telas infinitas.
Ver o Woody perder o viço e o cabelo não é apenas uma escolha criativa da Pixar; é um movimento estratégico. O estúdio sabe que seu público principal hoje não são apenas crianças, mas adultos que precisam de validação para seus sentimentos sobre a infância perdida.
Toy Story 5 parece pronto para nos fazer chorar, não apenas pela despedida dos personagens, mas pelo reconhecimento de que, assim como o Woody, nós mudamos, o mundo mudou e, talvez, esteja na hora de aceitarmos que a infância que conhecemos agora mora apenas na nossa memória (e nos cantos mais gastos dos nossos antigos baús de brinquedos).



